Nicolás Maduro in November 2025 at Miraflores in Caracas; Donald Trump at a 2024 campaign rally in Savannah, Georgia Jesus Vargas/Getty Images; Chandan Khanna/AFP via Getty Images

Remix viral de frase de Nicolás Maduro vira hit nas redes — e símbolo inesperado de um momento político

O que começou como um discurso televisionado tornou-se um fenômeno cultural global. Em outubro de 2025, o presidente venezuelano Nicolás Maduro surgiu em rede nacional implorando pelo fim dos ataques militares dos Estados Unidos, que haviam bombardeado barcos em águas internacionais próximos à Venezuela, deixando ao menos 87 mortos.

Em um tom quase hipnótico, Maduro repetiu uma mensagem que ecoaria muito além das fronteiras do país:

“Não é guerra, não é guerra, não é guerra…
Sim, paz, sim, paz, sim, paz — para sempre, para sempre, para sempre. Paz para sempre. Nada de guerra maluca.”

A fala, transmitida pela TV estatal, viralizou imediatamente nas redes sociais — mas ganharia nova vida quando o YouTuber dominicano HeySantana transformou o discurso em um remix de dembow, o ritmo dançante originado do Caribe.

De apelo à paz a hit de pista

No final de outubro, Santana publicou o vídeo “Not War, Yes Peace” em seu canal (HeySantanaYT), combinando o áudio do discurso de Maduro com uma batida pesada e coreografias engraçadas. O resultado? Um sucesso instantâneo.

A faixa logo ultrapassou centenas de milhares de visualizações, com versões de um minuto e meio até três minutos — e se espalhou por TikTok, Instagram e WhatsApp, com usuários recriando as danças e memes inspirados no remix.

“Eu estava em choque”, contou Santana à Rolling Stone via Zoom. “Achei que tinham editado aquele vídeo, mas depois vi na CNN que o próprio Maduro estava dançando a minha música.”

O ditador que dançou o meme

Em novembro, o próprio Maduro abraçou a paródia: exibido em redes de TV e redes sociais, dançou o remix ao lado de estudantes universitários no Palácio de Miraflores. Pouco depois, repetiu a performance em comícios públicos, com aplausos entusiasmados de apoiadores.

O gesto — entre o constrangimento e a autoparódia — acabou transformando a faixa em um símbolo ambíguo.
Enquanto opositores e internautas usavam “No War, Yes Peace” como ironia política, os chavistas passaram a adotá-la como um hino pró-Maduro, celebrando a frase como mensagem de resistir à guerra e exaltar a “paz bolivariana”.

“Ele tornou o meme real”, brincou Santana. “Era uma piada — e ele começou a dançar.”

Quando a cultura digital cruza com a geopolítica

A história tomou contornos ainda mais surpreendentes após a captura de Maduro em 3 de janeiro de 2026, durante uma operação militar norte-americana.
Algumas fontes políticas afirmam que o remix — e a forma como ele ressonou culturalmente dentro e fora da Venezuela — ajudou a precipitar decisões estratégicas que levaram à ofensiva americana.

O episódio ilustra o poder bizarro e difuso da cultura digital: de um discurso desesperado a um remix viral, de um meme a um marcador político involuntário.
Maduro pode ter cantado “sim, paz, sim, paz” — mas o ritmo das redes mostrou, mais uma vez, que na era do som digital, a paródia se propaga mais rápido que a diplomacia.

O criador de conteúdo dominicano, responsável pelo remix viral “No War, Yes Peace”, afirmou que a canção acabou tomando um rumo político que ele nunca imaginou.

“Em certo momento eu pensei: porra. Os chavistas estavam transformando a música de meme em uma ferramenta política pró-regime. Ela perdeu o humor. Eu nunca apoiaria um ditador como esse”, disse Santana em entrevista à Rolling Stone por chamada de vídeo, usando uma camiseta estampada com a imagem da captura de Maduro. “A música é super absurda se você realmente ouvir.”

A reviravolta deixou Santana atônito. No dia da captura, sua música registrou 10 mil identificações no Shazam — o maior pico desde o lançamento.

“As pessoas começaram a me agradecer online”, contou o YouTuber. “Brincam que agora eu sou tipo um libertador.”

Enquanto o meme rendia novas interpretações políticas, Maduro se declarou culpado de quatro acusações, incluindo conspiração para narcoterrorismo e posse de metralhadoras, durante audiência nos Estados Unidos na segunda-feira.
Seu julgamento, previsto para o fim do ano, deve se estender por meses e promete ser um dos mais emblemáticos da história recente latino-americana.

Fonte: rollingstone.com

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