O cantor, compositor e multi-instrumentista Tucker Zimmerman, um dos nomes mais singulares do folk americano, faleceu aos 84 anos na manhã de sábado (17 de janeiro) após um incêndio acidental em sua casa na Bélgica. Sua esposa, Marie-Claire Lambert, com quem foi casado por mais de 50 anos, também morreu no incêndio.
De acordo com relatos da imprensa local, o incidente ocorreu pouco depois das 8h, na residência do casal em Saint-Georges-sur-Meuse, na região de Liège. Um vizinho acionou os serviços de emergência, mas quando a equipe chegou, a casa já estava completamente tomada pelas chamas. Segundo o laudo forense, Zimmerman e Lambert morreram por asfixia, e o incêndio está sendo tratado como acidental.
Uma vida dedicada à música e à poesia
Nascido Brian Tucker Zimmerman em 14 de fevereiro de 1941, o músico cresceu na zona rural do norte da Califórnia. Ainda criança, aprendeu a tocar violino e, na juventude, mudou-se para Roma, onde estudou composição musical. Durante esse período, começou a tocar em grupos de jazz e rock, experiências que moldaram seu estilo experimental e introspectivo.
Em 1968, Zimmerman lançou seu álbum de estreia, “Ten Songs” (Dez Músicas), produzido pelo lendário Tony Visconti, colaborador frequente de David Bowie. O próprio Bowie chegou a declarar que o disco era um de seus álbuns favoritos de todos os tempos, o que ajudou a impulsionar o reconhecimento de Zimmerman na cena musical europeia.
Pouco depois, ele se mudou para a Bélgica, onde viveu até o fim da vida e se tornou um artista cultuado na Europa, conhecido por suas apresentações intimistas e composições profundamente poéticas.
Um artista multifacetado
Nos anos 1980, Zimmerman se afastou dos holofotes, dedicando-se à composição clássica, à escrita de ficção e à poesia, publicada em seu site oficial. Seu retorno à música veio em 2003, com o álbum “Walking the Edge of the Blues” (Andando no Limite do Blues), gravado com o Nightshift Trio, formado por ele, o baixista Jeff Van Gool e seu filho Quanah Zimmerman.
Em 2024, já em seus 80 anos, o artista viveu uma fase de intensa produtividade, lançando três discos de estúdio com o Tucker Zimmerman Trio, além de dois álbuns solo: “I Wonder If I’ll Ever Become Real” (Eu Me Pergunto Se Algum Dia Me Tornarei Real) e “Dance of Love” (Dança do Amor), pela gravadora 4AD.
“Dance of Love” destacou-se especialmente por incluir a banda Big Thief — grandes admiradores de Zimmerman — como banda de apoio e produtores. O álbum também trazia a participação vocal de Marie-Claire Lambert, sua esposa e parceira artística.
Seu último lançamento, “River Music, Ear Words” (Música de Rio, Palavras de Ouvido), chegou em julho de 2025 e encerrou uma carreira marcada por sensibilidade, experimentação e integridade artística.
“Dance of Love precisava acontecer — era uma celebração tardia daquilo que Tucker sempre representou: simplicidade, coragem e pureza de expressão”, escreveu um dos membros do Big Thief à época do lançamento.
O legado de Tucker Zimmerman transcende estilos e fronteiras: seu trabalho combina a tradição folk americana com uma visão profundamente pessoal, espiritual e literária da música.
R.I.P. Mestre Tucker Zimmerman.
Fonte: stereogum.com





