“A música eletrônica tem um lugar de direito em nosso patrimônio cultural imaterial”, declarou a ministra da Cultura da França, Rachida Dati, cujo ministério definiu os clubes como “espaços de expressão artística e celebração”.
Em uma decisão histórica que reforça o peso cultural dos sons eletrônicos, a França incluiu oficialmente a música eletrônica na lista nacional de patrimônio cultural imaterial.
A medida reconhece a influência duradoura do gênero na identidade francesa e suas raízes profundas na cena artística do país.
O destaque vai especialmente para o impacto do chamado “French Touch” — movimento que floresceu no fim do século XX e ajudou a consolidar a reputação global da França na música eletrônica.
Daft Punk, Justice, AIR, Cassius e outros nomes pioneiros criaram um estilo inconfundível, que misturava house, disco e techno em um som sofisticado e universal.
Além disso, o governo francês reconheceu oficialmente os clubes e casas noturnas como espaços essenciais para a expressão criativa e a construção de comunidades culturais, reforçando ainda mais o papel da música eletrônica na vida contemporânea do país.
A ministra Rachida Dati celebrou a decisão, afirmando que a iniciativa confirma o lugar legítimo da música eletrônica entre as práticas que representam a herança viva da França.
O reconhecimento é resultado de anos de mobilização de artistas, coletivos culturais e figuras políticas, que defendiam o valor histórico e social do gênero.
A inclusão também abre o caminho para um possível reconhecimento internacional pela UNESCO.
No início deste ano, o presidente Emmanuel Macron declarou publicamente seu apoio à candidatura da música eletrônica francesa à Lista do Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO, comparando o gênero a outras tradições que já conquistaram esse reconhecimento global.
Para muitos observadores, a decisão representa uma mudança simbólica na percepção oficial da música eletrônica — um gênero que já foi visto como underground ou passageiro, mas hoje é reconhecido por sua riqueza histórica, inovação tecnológica e relevância social.
O que isso significa para artistas independentes em todo o mundo?
Esse reconhecimento pode inspirar outros países a reavaliar o valor cultural das formas musicais modernas, ampliando a definição de patrimônio para além das tradições clássicas ou folclóricas.
Para os artistas independentes, isso ressalta o valor do trabalho criativo que floresce fora dos padrões convencionais.
Com a música eletrônica conquistando legitimidade institucional, produtores e músicos de base podem ter acesso a novas oportunidades de apoio, financiamento e preservação cultural em seus próprios contextos locais.
Além disso, o ato de reconhecer gêneros contemporâneos como parte do patrimônio estimula um diálogo cultural mais inclusivo — onde a arte viva, em constante transformação, recebe o mesmo cuidado e respeito dedicados às tradições estabelecidas.
Se você é um músico que atua em uma cena local ou regional, criando algo que reflete uma herança, um sentimento coletivo ou uma identidade sonora única, esse tipo de reconhecimento pode servir como lembrete e esperança:
um dia, o seu trabalho também poderá ser visto como parte de algo maior do que apenas a sua própria trajetória.
Fonte: hypebot.com





