Rapper Lil Durk performs at Dorothea Dix Park on April 7, 2024 in Raleigh, NC. Prince Williams/FilmMagic/Getty Images

Julgamento de Lil Durk por homicídio é adiado nos EUA; rapper segue em confinamento solitário

O rapper Lil Durk, vencedor do Grammy, esteve em um tribunal federal de Los Angeles nesta quarta-feira (7), onde o juiz Michael Fitzgerald decidiu adiar por pelo menos três meses o início de seu julgamento por assassinato por encomenda.

Os advogados de três dos cinco co-réus pediram o adiamento de 20 de janeiro para 4 de maio, alegando a necessidade de mais tempo para revisar provas e se preparar para o caso. O magistrado, porém, ainda não definiu uma nova data fixa, indicando que o julgamento pode começar em 21 ou 28 de abril.

Lil Durk — cujo nome verdadeiro é Durk Banks — não aderiu ao pedido de adiamento.

“Estaríamos prontos para ir a julgamento em duas semanas, mas o tribunal decidiu apropriadamente que, com todos juntos, ainda não chegamos lá. Este é um caso complexo”, explicou Drew Findling, advogado de defesa do artista, à Rolling Stone.

As acusações

Durk, de 33 anos, é acusado de oferecer uma recompensa pelo assassinato de Tyquian Terrel Bowman, conhecido artisticamente como Quando Rondo, o que supostamente levou a uma emboscada armada em um posto de gasolina próximo ao Beverly Center, em Los Angeles, em 19 de agosto de 2022.

Os promotores afirmam que Durk queria revanche contra Bowman, que ele considerava responsável pela morte do amigo e protegido Dayvon “King Von” Bennett, morto a tiros em 2020.

No ataque, o primo de Bowman, Saviay’a Robinson, foi morto após ser atingido por 18 disparos, supostamente com uma metralhadora, perto de um Cadillac Escalade ligado a Bowman.

Durk se declarou inocente das acusações de conspiração e homicídio contratado.

A defesa questiona as provas

Os advogados de Durk alegam que o caso do governo se baseia em um testemunho inconsistente — o de um homem identificado como “Testemunha de Acusação-1”, cuja versão dos fatos teria mudado diversas vezes.

Segundo a defesa, o homem declarou primeiramente que não havia recompensa, que não participou de um plano de homicídio e que, na verdade, agiu sob coação. Mais tarde, ele teria alterado a história, dizendo que Deandre Dontrell Wilson, um dos co-réus, teria ficado em Los Angeles para receber a suposta quantia em dinheiro.

A defesa questiona a credibilidade da testemunha, afirmando que as duas versões apresentadas pelos promotores se contradizem, já que a segunda acusação formal retirou a alegação de que Wilson distribuiria a recompensa.

Letras musicais usadas (e depois retiradas) como prova

Os promotores também chegaram a citar trechos da música “Wonderful Wayne & Jackie Boy” (2022) como evidência de que Durk estaria “capitalizando o crime”. Na canção, o rapper canta:

“Veja o noticiário e veja seu filho, você gritando: ‘Não, não.’”

A acusação alegava que a letra fazia referência direta ao momento em que Bowman viu o corpo do primo após o tiroteio.

A defesa, no entanto, apresentou declaração juramentada do produtor Justin Gibson, comprovando que a faixa foi gravada meses antes do crime. O trecho acabou removido da segunda acusação oficial.

Detenção e condições na prisão

Durante a audiência, a defesa também informou que Lil Durk está em confinamento solitário desde agosto de 2025, após ter sido flagrado com um Apple Watch na cela.
Segundo os advogados, o rapper passa 23 horas por dia isolado, sem direito a visitas ou revisão disciplinar, o que levanta preocupações sobre sua saúde mental e emocional.

O juiz marcou uma audiência específica para discutir o caso em 9 de fevereiro.

Na sessão de ontem, o artista apareceu com o cabelo curto — sem os tradicionais dreadlocks — e acenou, visivelmente emocionado, para a esposa India Royale, sentada no público.

O incidente das ameaças e a decisão do juiz

A defesa de Durk também pediu uma audiência probatória para investigar por que os procuradores demoraram meses para divulgar que uma juíza do caso recebeu ameaças por telefone em fases anteriores do processo.

O juiz Michael Fitzgerald rejeitou o pedido, minimizando o ocorrido como algo “lamentável, mas não incomum” em casos de grande notoriedade ligados à indústria musical.

“Algum cabeça quente interessado na cena fez algo estúpido”, disse o juiz. “Essas coisas acontecem, e não há nada que justifique a desqualificação de ninguém.”

Se confirmado para abril, o julgamento de Lil Durk promete ser um dos maiores processos criminais envolvendo um artista norte-americano na última década, misturando música, lealdade de rua e disputas pessoais que ecoaram nos bastidores do hip-hop.

 

Fonte: rollingstone.com

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