O serviço de streaming do Napster é fechado à medida que a empresa muda de marca em torno da IA
Photo Credit: Digital Music News (Jan. 2026)

Napster encerra serviço de streaming e se transforma em plataforma de inteligência artificial musical

Em uma virada inesperada que marca um momento histórico em seus 25 anos de existência, o Napster, outrora símbolo do acesso digital à música e mais recentemente um dos serviços de streaming mais antigos em operação, encerrou abruptamente sua principal função: reproduzir músicas.

Ao abrir o aplicativo no início de janeiro, usuários fiéis encontraram uma nova mensagem na tela inicial, substituindo o tradicional player:

“O Napster não é mais um serviço de streaming de música. Tornamo-nos uma plataforma de IA para criar e experimentar música de novas maneiras.”

O anúncio pegou muitos assinantes de surpresa — e gerou revolta nas redes sociais. Milhares relataram o desaparecimento repentino de bibliotecas e playlists acumuladas ao longo de anos, sem qualquer aviso prévio.

Da pirataria à reinvenção por IA

O movimento reflete a mudança profunda de rumo do Napster, que começou em março de 2025, quando foi adquirido por US$ 207 milhões pela empresa Infinite Reality — especializada em experiências digitais imersivas e tecnologia de inteligência artificial.

Na época, a compra foi celebrada como uma oportunidade de expandir o Napster além do streaming, incorporando recursos como festas virtuais, experiências 3D e ambientes interativos para unir criadores, fãs e artistas.

Mas, em vez de uma transição gradual, a nova gestão optou por encerrar completamente o serviço tradicional de streaming. Usuários foram orientados a usar ferramentas de terceiros, como o TuneMyMusic, para exportar e migrar suas playlists para outras plataformas — algo que muitos consideraram uma solução tardia e insuficiente.

Revolta dos usuários e incerteza sobre o futuro

A decisão gerou uma onda de frustração nos fóruns e nas comunidades no Reddit, onde usuários relataram a perda completa de suas músicas e coleções pessoais. Muitos prometeram migrar para concorrentes como Spotify, Apple Music e Tidal, chamando a ação de “traição digital” após décadas de lealdade.

Para a liderança do Napster, contudo, o encerramento simboliza um recomeço, não um fim.
A empresa afirma estar entrando em “uma nova fase de interação musical”, em que a IA não apenas recomenda músicas, mas participa de sua criação.

Entre as novas iniciativas estão:

  • Napster View — uma mistura de software e hardware compatível com Mac, que usa IA para gerar experiências musicais personalizadas.

  • Avatares e assistentes digitais criativos — “gêmeos virtuais” que ajudam os usuários a compor, aprender ou planejar novos projetos musicais.

Quando a inovação substitui a nostalgia

Analistas da indústria enxergam o caso como um símbolo da pressão sobre serviços digitais legados para se reinventarem em meio à revolução da IA generativa.

O problema, segundo eles, é que o Napster — uma marca que sobreviveu desde os dias selvagens da pirataria até o streaming legalizado — apostou tudo em uma nova identidade, sacrificando o produto que sustentava sua credibilidade.

O resultado é uma mistura de ousadia tecnológica e perda de confiança do público, levantando uma questão que ecoa além da música:
o que acontece quando empresas históricas trocam a nostalgia por algoritmos?

Fonte: hypebot.com

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