Em uma virada inesperada que marca um momento histórico em seus 25 anos de existência, o Napster, outrora símbolo do acesso digital à música e mais recentemente um dos serviços de streaming mais antigos em operação, encerrou abruptamente sua principal função: reproduzir músicas.
Ao abrir o aplicativo no início de janeiro, usuários fiéis encontraram uma nova mensagem na tela inicial, substituindo o tradicional player:
“O Napster não é mais um serviço de streaming de música. Tornamo-nos uma plataforma de IA para criar e experimentar música de novas maneiras.”
O anúncio pegou muitos assinantes de surpresa — e gerou revolta nas redes sociais. Milhares relataram o desaparecimento repentino de bibliotecas e playlists acumuladas ao longo de anos, sem qualquer aviso prévio.
Da pirataria à reinvenção por IA
O movimento reflete a mudança profunda de rumo do Napster, que começou em março de 2025, quando foi adquirido por US$ 207 milhões pela empresa Infinite Reality — especializada em experiências digitais imersivas e tecnologia de inteligência artificial.
Na época, a compra foi celebrada como uma oportunidade de expandir o Napster além do streaming, incorporando recursos como festas virtuais, experiências 3D e ambientes interativos para unir criadores, fãs e artistas.
Mas, em vez de uma transição gradual, a nova gestão optou por encerrar completamente o serviço tradicional de streaming. Usuários foram orientados a usar ferramentas de terceiros, como o TuneMyMusic, para exportar e migrar suas playlists para outras plataformas — algo que muitos consideraram uma solução tardia e insuficiente.
Revolta dos usuários e incerteza sobre o futuro
A decisão gerou uma onda de frustração nos fóruns e nas comunidades no Reddit, onde usuários relataram a perda completa de suas músicas e coleções pessoais. Muitos prometeram migrar para concorrentes como Spotify, Apple Music e Tidal, chamando a ação de “traição digital” após décadas de lealdade.
Para a liderança do Napster, contudo, o encerramento simboliza um recomeço, não um fim.
A empresa afirma estar entrando em “uma nova fase de interação musical”, em que a IA não apenas recomenda músicas, mas participa de sua criação.
Entre as novas iniciativas estão:
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Napster View — uma mistura de software e hardware compatível com Mac, que usa IA para gerar experiências musicais personalizadas.
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Avatares e assistentes digitais criativos — “gêmeos virtuais” que ajudam os usuários a compor, aprender ou planejar novos projetos musicais.
Quando a inovação substitui a nostalgia
Analistas da indústria enxergam o caso como um símbolo da pressão sobre serviços digitais legados para se reinventarem em meio à revolução da IA generativa.
O problema, segundo eles, é que o Napster — uma marca que sobreviveu desde os dias selvagens da pirataria até o streaming legalizado — apostou tudo em uma nova identidade, sacrificando o produto que sustentava sua credibilidade.
O resultado é uma mistura de ousadia tecnológica e perda de confiança do público, levantando uma questão que ecoa além da música:
o que acontece quando empresas históricas trocam a nostalgia por algoritmos?
Fonte: hypebot.com





