Sierra Hull's new album 'A Tip Toe High Wire' helped land her four nominations at the 2026 Grammys. Bethany Brook Showalter and Spencer Showalter*

Após perde a voz, Sierra Hull entrega ótimo show em programa de TV

Sierra Hull tem a coragem de dizer em voz alta o que todo artista pensa.

“Eu estaria mentindo se dissesse que não seria um sonho ganhar um Grammy”, confessa ela, sentada em seu camarim no Beacon Theatre, no Upper West Side de Manhattan, no início de dezembro. Ela reflete sobre as quatro indicações que recebeu por One High Wire Act (Um fio alto na ponta dos pés) — o álbum de 10 faixas lançado em maio que reforça seu status de prodígio do bandolim.

“Às vezes parece um pouco bobo admitir isso”, continua Hull, “mas há tantas razões diferentes para um disco ou uma música serem indicados, e você não pode colocar todo o seu valor emocional nessas coisas. Se um álbum não foi indicado, isso não significa que não fizemos um bom trabalho.”

E One High Wire Act é, de fato, um ótimo álbum. É também o primeiro em cinco anos e o primeiro trabalho totalmente independente de Hull desde sua estreia, em 2002, quando tinha apenas 11 anos. Antes disso, a artista do Tennessee havia lançado cinco discos de estúdio pela Rounder Records e já havia sido indicada duas vezes ao Grammy — mas as quatro nomeações de seu novo trabalho representam um ponto culminante na carreira da musicista de 34 anos.

“Eu realmente não faço ideia do que esperar”, admite. “No dia anterior ao anúncio das indicações, não queria me deixar abater se nada acontecesse, mas também não queria me empolgar demais se algo incrível acontecesse. Quanto mais velha fico, mais tento viver o presente e praticar a gratidão. Sou grata pelas coisas boas — e também por aprender e crescer quando as coisas não saem como eu gostaria.”

Hull começou a tocar bandolim aos 8 anos, em Byrdstown, Tennessee, inspirada por um tio-avô que morava nas redondezas e era apaixonado por música. Embora não fosse profissional, ele costumava tocar ‘Wildwood Flower’ e mantinha em casa um violino e um bandolim — instrumentos que logo despertaram a curiosidade da menina.

Certa vez, ela ganhou um violino de presente de Natal, mas era pequena demais para tocá-lo. O pai, percebendo isso, sugeriu que ela começasse aprendendo bandolim até estar pronta para o violino. Ele lhe ensinou uma única música — e, desde então, Sierra nunca mais parou.

Quando tinha apenas 11 anosSierra Hull se apresentou ao lado de Alison Krauss no lendário Grand Ole Opry. Na época, a Gibson, tradicional fabricante de instrumentos, mantinha uma loja luxuosa no shopping Opry Mills Mall, logo ao lado. Depois do show, Hull passou lá com o pai para comprar novos trastes para o bandolim — e acabou vivendo um momento inesquecível.

Um dos funcionários da loja a reconheceu e entregou a ela um bandolim da linha exclusiva de Adam Steffey — músico que tocava com Krauss e era um dos grandes ídolos de Hull. Desde então, a jovem manteve uma relação próxima com a marca.
Duas décadas depois, a própria Gibson procurou Hull para criar um modelo exclusivo, e hoje um bandolim F-5G com seu nome está exposto orgulhosamente nos showrooms da empresa.

“Honestamente, eu poderia dizer que isso sempre foi um sonho no fundo da minha mente”, admite Hull. “Mas quando eles realmente me contaram sobre o projeto, fiquei surpresa. É, sem dúvida, um sonho de vida realizado.”

No início de dezembro, Hull mostrou toda sua versatilidade musical — e resiliência — durante uma gravação para o programa CBS Saturday Morning. Pouco antes da filmagem, ela perdeu a voz, frustrando o plano original de cantar “Spitfire” e “Boom”, ambas indicadas ao Grammy. Em vez de cancelar, ela e sua banda decidiram transformar a performance em um show instrumental completo, incluindo a faixa “Lord, That’s a Long Way”, que também concorria ao Grammy de Melhor Composição Instrumental.

Durante a gravação, Hull manteve o bom humor e o carisma, sorrindo do início ao fim, dançando levemente pelo estúdio enquanto tocava seu bandolim. Assim que terminou, foi elogiada por um membro da produção, que resumiu a apresentação em uma frase simples:

“Foi um prazer.”

O mês terminou com Hull dividindo o palco com a Allman Betts Band em seus tradicionais shows Family Revival, e logo depois tocando com Béla Fleck, ambos novamente no Beacon Theatre. Fleck é uma figura importante em sua trajetória: tornou-se seu mentor ainda na adolescência, quando Hull o conheceu em um festival folk. O músico ainda participou do álbum One High Wire Act (na faixa instrumental “E Tune”) e produziu o disco de Hull de 2016, Weighted Mind, que lhe rendeu sua primeira indicação ao Grammy.

“Esse disco foi, pra mim, mais um trabalho de cantora e compositora”, lembra Hull. “Já toquei muita música instrumental — e amo isso —, mas senti vontade de mostrar também esse meu outro lado, de letras e canções.”

Ela reflete, com um sorriso:

“Sinto que sou abençoada por ter essa variedade. Ir de um show com a Allman Betts para tocar com Béla Fleck, e ter esse equilíbrio entre mundos diferentes… às vezes eu simplesmente paro e rio, tipo: ‘Cara, ontem foi completamente diferente de hoje!’ Mas eu amo isso. É o que me mantém inspirada.”

Fonte: rollingstone.com

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