O icônico baterista jamaicano Sly Dunbar, conhecido como uma das metades da histórica dupla rítmica e produtora Sly & Robbie, faleceu aos 73 anos.
Segundo o site DancehallMag, Dunbar morreu na manhã desta segunda-feira (26). Ele vinha enfrentando problemas de saúde há cerca de uma década, embora a causa da morte ainda não tenha sido divulgada.
Das ruas de Kingston ao mundo
Nascido Lowell Fillmore Dunbar, em Kingston, Jamaica, Sly começou a tocar bateria ainda adolescente em bandas locais. Sua primeira gravação profissional foi aos 18 anos, no clássico “Double Barrel” (1970), da dupla Dave & Ansel Collins — um hit internacional que chegou ao Top 40 nos Estados Unidos e liderou as paradas britânicas.
Pouco tempo depois, em 1972, Sly conheceu o baixista Robbie Shakespeare, quando ambos faziam parte da banda The Revolutionaries, grupo fixo do lendário Channel One Studios. A parceria se transformou em uma das mais influentes da história do reggae.
Nos anos seguintes, eles fundaram seu próprio selo, a Taxi Records, e tocaram em gravações de Peter Tosh, The Mighty Diamonds, Culture, Gregory Isaacs e muitos outros. Dunbar também lançou álbuns solo, começando com Simply Moody (1978).
Inovação e expansão global
Durante os anos 1980, Sly & Robbie revolucionaram o reggae ao incorporar elementos digitais à sua produção — abrindo caminho para o nascimento do dancehall.
Sob a curadoria de Chris Blackwell, fundador da Island Records, a dupla integrou a banda de estúdio Compass Point All Stars, sediada em Nassau (Bahamas). Lá, trabalharam com Grace Jones, Robert Palmer, Bob Dylan, Herbie Hancock, Serge Gainsbourg e até os Rolling Stones, consolidando sua reputação mundial.
Em 1981, lançaram a compilação Sly & Robbie Present Taxi. O sucesso continuou com o álbum Rhythm Killers (1987), que apresentou elementos de dance e funk e gerou o hit “Boops (Here to Go)”, chegando à 12ª posição nas paradas do Reino Unido.
O LP Friends (1989) rendeu à dupla o Grammy de Melhor Álbum de Reggae, consagrando-os como pioneiros e embaixadores globais do estilo.
Do reggae ao pop internacional
Nos anos 1990, Sly & Robbie foram os primeiros veteranos do reggae a abraçar totalmente o dancehall, coescrevendo e coproduzindo o clássico de Chaka Demus & Pliers, “Murder She Wrote” (1992) — uma faixa que ajudou a definir o gênero.
A dupla também colaborou com No Doubt em 2001, coproduzindo os sucessos mundiais “Hey Baby” e “Underneath It All”.
Sly participou ainda de dois hits jamaicanos que alcançaram o primeiro lugar nos EUA: “Close To You”, de Maxi Priest, e “Cheerleader”, de Omi.
Seu parceiro musical de décadas, Robbie Shakespeare, faleceu em 2021, marcando o fim de uma das colaborações mais lendárias da história da música.
Legado eterno
Com uma carreira que atravessou mais de cinco décadas, Sly Dunbar deixa uma marca imensurável no reggae, no pop e na música global. Sua versatilidade, inovação e precisão rítmica influenciaram gerações de bateristas e produtores em diversos estilos.
Mesmo após sua morte, o legado de Sly & Robbie continua vivo — um testemunho do poder transformador do ritmo jamaicano no cenário internacional.