O iconoclasta do country rock Sturgill Simpson disse que The Ballad of Dood and Juanita (2021) seria seu último álbum, encerrando um arco prometido de cinco discos. Em 2024, porém, ele voltou com Passage du Desir, um novo LP brilhante, sob o pseudônimo Johnny Blue Skies. Ele e sua banda levaram esse álbum em turnê pelo mundo, recebendo aclamação arrebatadora. Agora, estão prestes a fazer tudo de novo.
Em uma nova carta enviada aos fãs, Simpson revelou que sua banda, agora chamada Johnny Blue Skies & The Dark Clouds, lançará em breve um álbum chamado Mutiny After Midnight. Segundo ele, o disco nasceu de um objetivo simples: fazer um álbum dançante.
“A maior parte dessa banda está na estrada junta, intermitentemente, há mais de treze anos”, escreveu Simpson. “Todos nós crescemos, às vezes juntos e às vezes separados. Mas nunca nos sentimos mais ‘juntos’ do que agora. Eu não poderia estar mais feliz. Esta é a banda com a qual sonhei estar desde o ensino médio.”
Simpson também promete uma turnê sem banda de abertura:
“Vamos aproveitar cada minuto que o local nos der. Vamos agitar esse ‘Mutiny’ o máximo que for humanamente possível. É nosso privilégio e nossa honra, porque nossos fãs merecem.”
O que está por trás de “Mutiny After Midnight”?
Em uma palavra, parentesco.
A maior parte dessa banda está na estrada junta, de forma intermitente, há mais de treze anos. Todos cresceram, às vezes lado a lado, às vezes em caminhos separados — mas nunca se sentiram tão conectados quanto agora. Simpson diz que esta é a banda com que sonhava tocar desde o colegial.
No ano passado, o grupo fez duas grandes voltas pelos Estados Unidos e uma turnê pela Europa Ocidental. Entre os shows, em setembro, eles entraram em um novo e lindo estúdio em Nashville, Tennessee. Fortemente inspirados por horas intermináveis no ônibus assistindo a clipes antigos da grande banda de fusion-funk Stuff, e revisitando discos conceituais fora da curva, como In Our Lifetime, de Marvin Gaye — em que, diante do que parece ser o fim do mundo, a resposta do artista é: “Vamos dançar e fazer amor” — eles decidiram criar um álbum firmemente centrado no groove.
Todos os dias começavam do zero, a partir de um ritmo básico. Simpson escrevia as músicas e letras ali, na hora, enquanto cada integrante criava sua própria parte pensando no que servia à canção — e não ao ego individual.
Segundo ele, as faixas deste álbum podem ser divididas em duas categorias:
-
o estado sombrio do mundo
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o estado luminoso do amor
A luz existe nas trevas, assim como as trevas existem na luz. Com o tempo, Simpson diz ter aprendido que é muito mais fácil abraçar as contradições do que tentar resolvê-las. Daí o nome “Johnny Blue Skies & The Dark Clouds”.
O prazer que a banda sentiu ao fazer esse álbum ficará evidente para quem ouvir. Mas, para Simpson, é mais do que alegria:
“Você pode chamar isso de motim… de rebelião aberta.”
De um jeito ou de outro, esse “motim” no estúdio acabou virando festa. Classificar Mutiny é complicado, mas ele admite que muita gente vai tentar encaixar o disco em algum rótulo. Para Simpson, o termo “American Music” já diz tudo.
Apesar de todas as ideias por trás de Mutiny, o objetivo da banda era simples: fazer um disco dançante. Esse protesto, esse motim, está muito mais ligado à dança primária — a dança de toda a criação.
Simpson deixa claro:
“É um protesto contra a opressão e a supressão, e o único antídoto verdadeiro, testado e comprovado, é o disco-hedonismo puro, não filtrado, sem remorso e implacável.”
Ele também reforça que sua voz é apenas mais um elemento dentro da banda, e que em nenhum momento o grupo é “pequeno demais” para ser ofuscado por um vocalista. Simpson faz questão de agradecer aos músicos: o baterista e backing vocal Miles Miller, o guitarrista Laur Joanets, o baixista Kevin Black e o tecladista/saxofonista Robbie Crowell. Para ele, cada um é uma estrela por direito próprio — e, juntos, eles apenas refletem o brilho uns dos outros.
Motim, dança e “estática”
Simpson conta que passou a maior parte dos últimos anos tentando fugir do que chama de “estática”, principalmente através de viagens intensas. Uma coisa o marcou na convivência com os franceses: a capacidade incomparável de responder à injustiça com festa.
Quando se sentem oprimidos por excessos — mesmo nos detalhes —, franceses entram em greve nacional, paralisam metrôs e economia, e lotam as ruas com música e pessoas de todas as origens dançando juntas, às vezes nuas em cima de pontos de ônibus. Essa visão de unidade o inspirou profundamente. Segundo ele, foi aí que nasceu a ideia do motim dançante.
Fazer uma turnê com Mutiny é algo que a banda aguarda com entusiasmo e gratidão. Assim como Simpson aprendeu a enxergar sua neurodivergência — e o “autismo armado” do grupo, como ele descreve — como uma superpotência no estúdio, o mesmo vale para o palco. A banda pretende tocar em arenas e teatros com força total, sem ato de abertura, aproveitando cada minuto concedido pelos locais.
“Vamos agitar esse ‘Mutiny’ o mais forte que for humanamente possível. É nosso privilégio e nossa honra, porque nossos fãs merecem.”
Para Simpson, além da “estática”, só importam os sons que a banda faz e os ouvidos que os recebem. Nem tudo será para todo mundo, mas, com o tempo, a música tende a encontrar quem realmente foi feito para ouvi-la.
“Você ganha alguns, perde alguns, mas no fim fica com os verdadeiros.
E os verdadeiros são para a vida toda…”
Um “pirata” em busca de algo maior
Após mais de uma década navegando pelas águas frias e complicadas da indústria, Simpson diz ter encontrado seu verdadeiro norte. Hoje, ele acorda com um único objetivo: dar o melhor de si fazendo aquilo que faz melhor, simplesmente sendo um pirata.
Ele afirma que todos já sabem que sua tripulação dirige o navio mais rígido e mortal na água. A banda não tem interesse em elogios, troféus ou em ser “o definitivo” de qualquer coisa em sua geração. Eles estão perseguindo algo mais significativo e gratificante — e, segundo ele, “coletando cabeças na jornada”.
Por fim, Simpson deixa um recado direto para quem vê a bandeira dessa banda hasteada:
“Não haverá quartel, nem misericórdia oferecida ou dada.
Estou animado. Você está animado?”
Fonte: stereogum.com