Mais um caso de impostura musical gerada por IA parece ter surgido nas plataformas de streaming.
A banda de metalcore Broken Avenue, que conta com quase 130 mil ouvintes mensais no Spotify, é listada como um “artista verificado” e até ganhou uma dessas playlists automáticas da plataforma — as “This Is”, normalmente criadas para artistas que atingem certo nível de popularidade.
Mas, segundo fãs e músicos da cena, a Broken Avenue pode não ser uma banda real.
Suspeitas de plágio digital
Fãs de grupos como Counterparts, Knocked Loose e The Devil Wears Prada afirmam que quem está por trás da Broken Avenue usou IA para gerar música e arte que imitam diretamente o som e a estética dessas bandas.
Na imagem usada pela reportagem, é possível comparar a capa do single “finally free”, da Broken Avenue, com o álbum Nothing Left to Love (2019), do Counterparts — e a semelhança é quase idêntica.
Outro detalhe suspeito é o fato de dezenas de músicas terem sido enviadas nas últimas seis semanas, todas creditadas ao mesmo nome: “James Tolby”, suposto compositor e letrista.
A única exceção é um EP com data de 2011, assinado por “Santana Marsh”, reforçando a impressão de uma tentativa de fabricar um histórico falso.
Reação da comunidade
A situação chamou a atenção do vocalista do Counterparts, Brendan Murphy, que expôs o caso no X (antigo Twitter). Ele publicou uma captura dos créditos da Broken Avenue e escreveu:
“US$ 100 para quem conseguir me passar o contato legítimo de James Tolby.
Não farei nada maluco, prometo — você não vai se meter em confusão.”
Até o momento, não se sabe se James Tolby é uma pessoa real, um pseudônimo, ou apenas um nome inventado por IA.
Casos anteriores e o papel das plataformas
Situações semelhantes vêm se multiplicando. Em 2024, o caso da banda fictícia Velvet Sundown viralizou: o suposto grupo de “rock psicodélico” acumulou milhões de streams alegando ser formado por humanos — até que um porta-voz misterioso (também falso) revelou que tudo fora criado com tecnologia sintética.
Desde então, a biografia oficial da banda nos serviços de streaming foi alterada, admitindo tratar-se de “um projeto de música artificial” — algo que muitos ouvintes provavelmente nunca perceberam.
Entre as plataformas, a Deezer é uma das poucas que tem atuado proativamente na identificação de faixas geradas por IA. Segundo a empresa, mais de 50 mil músicas criadas por inteligência artificial são enviadas todos os dias — quase 34% de todo o novo conteúdo adicionado ao aplicativo.
Curiosamente, Broken Avenue tem apenas 20 fãs na Deezer, o que sugere que seu “alcance” pode estar concentrado, artificialmente, no Spotify.
Crise de autenticidade
O caso reforça a crescente crise de confiança nas plataformas de streaming, especialmente depois que os selos de verificação perderam valor e passaram a ser facilmente obtidos.
Enquanto isso, artistas reais e fãs pedem transparência e regulação, cobrando das empresas que façam o básico: verificar quem — ou o que — está por trás de cada música.
Em um cenário em que até as playlists oficiais podem promover artistas inexistentes, a pergunta inevitável é:
quantos outros “James Tolbys” estão escondidos por aí, tocando para milhões… sem jamais existirem?
Fonte: stereogum.com





